Marcações para lojas de pneus

Quase ninguém planeia trocar pneus. Decide-se num semáforo, depois de olhar para o piso ou de ouvir a primeira chuva — e a pergunta que essa pessoa faz é sempre a mesma: há hoje?

Um negócio que se decide na véspera, e às vezes na rotunda

Isto é o oposto de uma agenda cheia com um mês de antecedência. Aqui o cliente não anda a comparar datas: ele quer saber se cabe hoje ou amanhã de manhã, e se a resposta demorar a chegar vai perguntar ao concorrente que fica dois quarteirões acima.

Junta-se a isso a estação. Há semanas em que a casa está vazia e semanas em que toda a gente se lembra ao mesmo tempo — a primeira chuva a sério, o frio, a véspera de uma viagem longa. A procura não é uma linha, são picos, e num pico o que se perde é sempre o mesmo: quem ligou e não conseguiu falar.

Uma página que mostra as horas livres responde a essa pergunta sem ninguém do teu lado ter de a ouvir. E responde às onze da noite, que é quando muita gente decide isto.

A página não te obriga a marcar com antecedência

Vale a pena dizer como isto funciona mesmo, porque noutro tipo de negócio seria um defeito e aqui é o que faz falta: não há antecedência mínima na página pública. Se tens uma vaga daqui a quarenta minutos, ela aparece, e alguém pode ficar com ela agora.

Para uma loja de pneus é a diferença entre a agenda ser útil e ser decorativa. O teu cliente típico está a decidir no momento, e uma página que só oferecesse horas para daqui a dois dias mandava-o embora precisamente no instante em que ele estava disposto a vir.

A contrapartida é honesta e tens de a conhecer: não existe uma regra de «só com duas horas de aviso». Se não quiseres receber marcações para daqui a nada, a forma de o dizer é pelo horário — fechando a janela de cada serviço mais cedo do que a casa fecha, por exemplo — e não com um travão que ainda não existe.

A máquina é que decide quantos carros cabem

Numa loja de pneus a conta não é «quantas pessoas tenho»: é quantos postos de trabalho conseguem correr ao mesmo tempo. A desmontadora, a equilibradora e o alinhador descrevem-se como recursos com ocupação própria, e dois postos equivalentes são uma linha com capacidade dois.

A leitura é E e não OU: um serviço que exija a máquina de pneus e o alinhador só oferece horas quando as duas estão livres. É por isso que a agenda não te promete um alinhamento a meio de uma manhã em que o alinhador está preso — e é aí que uma folha de papel falha, porque a folha não sabe fazer essa interseção de cabeça.

Se uma máquina avaria, desativa-la e os serviços que dependem dela deixam de ter horas até a ligares outra vez. Ninguém marca o que não podes fazer, e não tens de te lembrar de apagar horários à mão.

O catálogo muda de estação — e desativar não é apagar

Este é dos poucos negócios em que metade do que vendes desaparece durante meses. O que resulta é ter as linhas escritas o ano inteiro e desativar as que não estão a época — em vez de as apagar e voltar a escrever, que é o que toda a gente faz na primeira vez.

A diferença não é de arrumação. Apagar um serviço corta a ligação às marcações antigas que o usaram; desativá-lo deixa o histórico inteiro de pé e devolve-te a linha no ano seguinte tal como estava, com a duração e o preço que já tinhas afinado.

E há uma coisa que fica sempre segura: o preço com que uma marcação foi feita fica congelado nela. Se mudares a tabela a meio da estação, o que já estava marcado continua a valer o que valia no dia em que foi marcado, e não passa a valer o preço novo por causa de uma alteração no catálogo.

Quem chega sem marcar continua a ser metade do dia

Não vamos fingir que uma loja de pneus passa a viver de marcações. O carro que encosta com um pneu vazio não marcou nada e vai continuar a não marcar — e é bom que entre, porque é dinheiro que entra pela porta.

O que a agenda faz é impedir que as duas coisas se atropelem. Quando lanças na agenda o carro que apareceu, aquelas horas de máquina deixam de ser oferecidas online, e quem estiver a marcar nesse momento no telemóvel já não escolhe uma hora que tu acabaste de dar a outra pessoa.

E a marcação que já existe pode andar sem te dar trabalho: quem marcou recebe um link no email e muda a hora ou desmarca sozinho, dentro do que estiver livre. Num negócio decidido em cima da hora, isso é o que evita metade das faltas — a pessoa que já não pode vir prefere carregar num botão a telefonar a dar explicações.

Como configurar o sinal numa loja de pneus

A configuração que costuma resultar é um valor fixo baixo, igual em todos os serviços. Uma percentagem aqui trabalha contra ti: o valor da fatura vai quase todo para o material, e uma percentagem dessa conta dá um adiantamento grande de mais para um trabalho de quarenta minutos.

E há um caso em que ele vale mesmo: quando o cliente pede uma medida que tens de mandar vir. Aí o sinal não é um seguro contra a falta, é o sinal de que aquela pessoa vai mesmo aparecer — e o teu risco não é a hora vazia, é o material que ficou em cima do balcão.

É uma recomendação de configuração e não uma estatística de setor — não publicamos médias que não medimos. Defines o valor que quiseres, e mudas quando quiseres. O dinheiro entra na tua conta Stripe no momento da marcação; não levamos comissão nenhuma, e as taxas do cartão são da Stripe e saem de quem recebe.

Durações por onde começar

Uma sugestão para arrancar, não uma média do setor. Mudas cada uma no teu catálogo.

Troca de dois pneus
30 min
Troca de quatro pneus
45 min
Equilibragem
30 min
Alinhamento de direção
60 min
Reparação de furo
20 min

Perguntas de quem vende e monta pneus

Alguém pode marcar para daqui a meia hora?

Pode, se tiveres essa vaga livre. A página oferece o que existe, sem atraso mínimo — e neste negócio é isso que a torna útil. Se não quiseres receber marcações no fim do dia, fechas mais cedo a janela desses serviços.

No verão não faço metade destes trabalhos. Apago-os?

Desativa-os em vez de os apagares. A linha sai da página e volta no ano seguinte com a duração e o preço que já tinhas, e o histórico das marcações antigas fica intacto — apagar é que corta essa ligação.

E se eu mudar os preços a meio da estação?

As marcações que já existem ficam com o preço do dia em que foram feitas. Só as novas passam a usar a tabela nova, o que evita a conversa desagradável com quem marcou na semana passada.

Tenho dois elevadores mas só um alinhador. Isto percebe isso?

Percebe, se lhe disseres. Cada equipamento é um recurso com a sua capacidade, e um serviço pode exigir mais do que um: a hora só aparece quando tudo o que ele precisa está livre ao mesmo tempo.

A encomenda dos pneus também se faz aqui?

Não. Não há stock, nem encomendas, nem fornecedores nesta ferramenta — isso continua onde já está. O que a MarcaAí trata é a hora, o cliente e o sinal quando o cobras.

Negócios parecidos com o teu, e o que muda em cada um: oficina auto, lavagem auto e inspeção automóvel.

A seguir: faz a conta do que as faltas te levam por ano na calculadora de faltas, vê o que cada plano inclui ou volta a todos os tipos de negócio.